21-01-2016
A vida ZOE

divaA comunidade científica ficou em polvorosa desde que o cientista americano Dr. Craig Venter e sua equipe anunciaram aquela que seria a maior revolução em engenharia genética, a criação da vida artificial!

Através de manipulação do genoma de uma bactéria que foi inserido em outra bactéria, o doutor Venter e sua equipe conseguiram criar uma terceira bactéria capaz de viver e se reproduzir.

Fernando Reinach, biólogo e articulista do jornal O Estado de São Paulo, escrevendo sobre esse assunto, cita dois exemplos de filmes de ficção nos quais aquilo que parecia improvável anos depois se tornou realidade. Cem anos antes do homem chegar à lua Júlio Verne já escrevera sobre essa viagem. Também a ficção de Michael Crichton em Jurassic Park de 1990 já “previa” a recriação de dinossauros através de material genético encontrado em intestinos de insetos e injetados em ovos de jacarés.

É obvio que as mesmas discussões éticas e teológicas são levantadas. Barak Obama logo depois do anúncio pediu um relatório completo sobre o projeto do doutor Venter, inclusive apontando as implicações para a saúde e segurança nacional. O Vaticano se mostrou preocupado e em nota afirmou que o ser humano “vem de Deus, mas não pode tentar ser Deus” e um jornal japonês estampou em sua manchete “O caminho para uma nova vida“. A manchete desse jornal nos remete a uma reflexão mais profunda com relação à vida. Na língua grega existem mais de uma palavra para se referir à vida. Temos o termo Bios que é o mais conhecido e que é prefixo inclusive para a especialidade do articulista do jornal O Estado de São Paulo citado acima, biólogo-indivíduo que estuda as formas de vida existentes na natureza. A segunda palavra é “zoe” quem têm, entre outras acepções, o sentido de vida plena, completa.

Na célebre afirmação de Jesus no evangelho de João capítulo 14 verso 6; “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida, ninguém vem ao Pai, senão por mim“, o mestre usa o termo “zoe” para designar vida. Vida no sentido tridimensional, corpo, alma e espírito. (soma+psiqué+pneuma), vida completa, abundante, plena e o mais importante: vida eterna!

Que os cientistas estão a manipular a vida (bios) no laboratório, há muito não é mais novidade. O doutor Craig Venter, inadequadamente, fez questão de utilizar o vocábulo “criação” em seu artigo. Criação em seu sentido mais amplo é chamar à existência aquilo que não existe, ou fazer aparecer do nada, o que não é o caso dessa nova experiência.

Se a manchete do jornal japonês era um irônico jogo de palavras debochando da máxima evangélica o resultado não vai além de um efeito estilístico e estético das palavras.

Pense nisso,

Gilberto Gedaías Alves