21-01-2016
El Cristiano

Sino_A Guerra do Paraguai (1864-1870), além da estupidez inerente a toda guerra, ainda hoje protagoniza eventos bizarros. Na época o Paraguai tinha uma arma que provocava pavor entre seus inimigos. Um canhão pesando doze toneladas, tão potente que facilmente avariava uma placa de aço com 15 cm de espessura.

Com a “vitória” do Brasil, se é que em guerra alguém sai vitorioso, tanto o canhão como a placa foram mandados a um museu no Rio de Janeiro como “troféu” de guerra. Agora o governo do Paraguai está solicitando o canhão de volta alegando ser de grande valor sentimental para o povo paraguaio.

Mas o mais interessante é a origem desse canhão! Foi fabricado tendo como matéria prima o bronze dos sinos das igrejas paraguaias e batizado como “El Cristiano”, “O Cristão”. Aqueles instrumentos sacros que antes tangiam harmoniosos hinos e conclamavam seus fiéis para momentos de meditação sobre coisas elevadas, trazendo vida e paz, foram transformados em outro instrumento cujo som surdo e abrupto anunciava guerra e morte!

Como poderia então ser batizado de “El Cristiano”? O verdadeiro cristianismo, aquele que Jesus ensinou e estabeleceu, tem como base o Amor! Neste sentido todo aquele que fomenta a guerra é um anti-Cristo!

O grande poeta e compositor Sergio Pimenta, baseando-se na carta de São Tiago, capítulo tres escreve: “mesma língua que abençoa, amaldiçoa/ mesma língua canta um hino e traz divisão/ Não pode da mesma fonte o doce e o amargo/ Se Cristo habita de fato no coração”. E o Apóstolo São Paulo escrevendo aos Coríntios sobre o Amor diz: ” Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver Amor, serei como o Bronze que soa ou como o sino que retine.” (I Cor. 13:1)

Na verdade, seja sino seja canhão, tudo se resume a Bronze, matéria inanimada que nós animamos, e lhe concedemos a utilidade concernente aos desígnios do nosso coração, seja a Paz seja a Guerra!

Pense nisso,

Gilberto Gedaías Alves